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A POESIA NÃO MORRERÁ JAMAIS
escrito por Francisco Simões
Neste dia
21/Março será comemorado mais um Dia Internacional da
Poesia. Há pessoas que, de forma pessimista, comentam
que a poesia estaria acabando. Isto significaria dizer
que não mais estariam a surgir poetas neste mundo. Eu
discordo.
Outro dia
cheguei a puxar as orelhas de um amigo que se manifestou
com uma convicção totalmente equivocada. Afinal,
convivendo neste espaço virtual já há cerca de oito
anos, tenho conhecido pessoas maravilhosas que se
expressam em versos, claro, cada qual traduzindo os seus
sentimentos em estilo próprio, mas fazendo da poesia o
veículo para externar o que lhe vai na alma.
Felizmente a cada mês, a cada ano, surgem mais poetas,
sim senhor. O que não ocorre é a devida divulgação dos
que escrevem. Não pode ser desmentido que há um certo
preconceito por parte de alguns que têm nas mãos o poder
de divulgar ou não especialmente poetas novos,
desconhecidos do grande público.
Mas,
mesmo limitados aos espaços literários mantidos nesta
internet, sabe-se bem com que sacrifícios tantos,
não é muito difícil ler-se versos que mereciam chegar a
muitos mais olhos, a estar em muitos mais livros que o
elitismo de poucos, ou o "profissionalismo" de tantos
recusa-se a reconhecer o seu valor.
No ano de
2000 um amigo cá de Cabo Frio (RJ), poeta dos bons,
professor, teve a "audácia" de realizar o que chamou de
"Maior Varal de Poesias do Mundo". Creiam, não era muita
pretensão dele, não mesmo. Mais de 5.000 poesias foram
escolhidas e expostas ao público em geral num imenso
varal, autêntico, verdadeiro, no correr de quilômetros
ao longo do nosso bonito Canal de Itajuru.
O poeta
Mauricio Cardoso foi a cada Escola, conversou com muitos
alunos, e seu esforço acabou por ser recompensado.
Meninos e meninas se expressaram de várias formas
perdendo o medo, ou a vergonha de provarem que dentre
eles havia muita vocação para a poesia. Eu participei
com 36 poemas apenas como convidado, já que o belo
evento era voltado mesmo para a garotada estudante.
A
Secretaria de Educação do município concordou em premiar
a Escola com mais alunos participantes e também o jovem
que mais poesias apresentou. Que maravilhosa festa em
pleno Dia do Poeta, repito, no ano de 2000. Na entrega
dos prêmios vieram à nossa cidade dois poetas do Rio que
leram diversos poemas.
Tudo
aconteceu às margens do Canal de Itajuru, que colaborou
com o romantismo do evento não só num belo dia de sol,
como naquela noite de lua cheia. Somente uma rádio local
noticiou o fato. O tal Livro de Recordes, inglês, virou
as costas à iniciativa também.
É como eu
disse em 2001 em outro texto que escrevi sobre o Dia da
Poesia: "A poesia está no ar, na Natureza, na mulher, no
homem, na flor, na mão que se estende à caridade, na
tragédia das guerras, na vida, enfim, na morte." Pois é,
amigos, a poesia está no ar, está na vida, e mesmo na
morte, com certeza.
Vou me
permitir transcrever aqui parte do que me escreveu sobre
minha crônica POESIA, em 2001, a querida amiga e poeta,
de Bajé (RS), Sarita Barros:
"O
ofício do Poeta é tentar vestir com letras a Poesia da
Vida. Vestida, vira prisioneira e em sendo cativa perde
o esplendor de quando era livre e sentia as pessoas, em
vez de ser sentida por elas."
"A
gravura de um pássaro não é o pássaro, o poema não é o
que procura expressar. É o registro de um enfoque sobre
o sentimento despertado quando a emoção é gerada, dentro
ou fora de nós. O pássaro Poesia continua voando através
dos séculos. O Poeta persegue o verso — sem palavras —
para alcançar a Poesia. Esse é o paradoxo."
Estas são
palavras de abertura do seu pequeno livro "Verso
Universo Reverso", 1998. Sarita Barros, uma amiga,
poeta, escritora, um encanto de mulher.
Encerro
esta minha reflexão sobre este Dia da Poesia com estas
palavras que estão no meu texto POESIA escrito no ano de
2001:
"Enquanto
houver o mundo haverá a poesia, mesmo que o homem se
tenha auto-destruído. Ainda que o poeta jamais tivesse
se apercebido do luar a poesia estaria sempre ali. O
mesmo vale para o pôr-do-sol, para a gota de orvalho,
para a folha que cai, para a flor que desabrocha, para
"a paz de uma criança dormindo", essas que são
palavras do poetinha Vinícius de Moraes."
(Março /
2008)
Francisco Simões é escritor e poeta do
Belém do Pará e vive no Rio de Janeiro - Brasil
Contacto com o autor: fm.simoes@terra.com.br
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